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O que é a Osteopatia?

A Osteopatia é uma abordagem que se distingue dos outros cuidados de saúde, baseando-se num sistema estabelecido de diagnóstico e tratamentos clínicos.

A Portaria n.º 207-B/2014 define no artigo 2.º a Osteopatia como “a terapêutica que tem como objetivo diagnosticar diferencialmente, tratar e prevenir distúrbios neuro-músculo-esqueléticos e outras alterações relacionadas, utilizando uma variedade de técnicas manuais e outras afins necessárias ao bom desempenho osteopático para melhorar funções fisiológicas e ou a regulação da homeostase que pode estar alterada por disfunções somáticas, neuro-músculo-esqueléticas e elementos vasculares, linfáticos e neuronais relacionados”.

O mesmo artigo 2º diz ainda que:

A osteopatia:

a) Tem uma abordagem sistémica dos cuidados prestados e baseia-se no conceito de que o ser humano é uma unidade funcional dinâmica, na qual todas as partes estão interligadas e possui mecanismos inerentes de autorregulação e autocura;

b) Respeita a relação entre as diferentes dimensões do ser humano na saúde e na doença;

c) Enfatiza a integridade estrutural e funcional do corpo humano e a sua capacidade intrínseca para a autocura;

d) Dá especial atenção à biomecânica do sistema neuro-músculo-esquelético e à sua relação com a fisiologia do organismo;

e) Tem como componentes essenciais da intervenção o diagnóstico estrutural, o tratamento manipulativo e outros necessários ao bom desempenho osteopático.

 

Podemos afirmar que "a intervenção do osteopata só está limitada pela limitação do conhecimento deste. Uma mão experiente e habilidosa aliada ao conhecimento profundo e a intimidade com todas as estruturas do corpo, pode trabalhar ao pormenor praticamente qualquer órgão ou estrutura".(Rui Coelho, DO)

História da Osteopatia

A medicina manual é tão antiga quanto a ciência e a arte da medicina propriamente dita.

 

O uso das mãos no tratamento de traumatismos e doenças já era praticado no antigo Egipto. Hipócrates nos anos 460-480 A.C. descreveu manobras de tracção vertebral nos seus manuscritos, mas foi nos Estados Unidos no séc. XIX, que a Osteopatia surgiu pelas mãos do Dr. Andrew Taylor Still (1828-1917). Still nasceu a 6 de Agosto de 1828 na Virgínia. O seu pai era médico. Desde criança Still sofria de dores de cabeça e náuseas. Um dia, durante um episódio com dores de cabeça foi sentar-se num baloiço que seu pai tinha feito num ramo de uma árvore. Como se sentia mal, resolveu retirar o assento do baloiço e deitou-se no chão repousando a nuca contra a corda. Sentiu alívio nessa posição, adormeceu e quando se levantou a dor tinha desaparecido. Still formou-se em medicina muito jovem, como era costume na época, tendo começado a exercer com o seu pai. Tornou-se cirurgião e trabalhou na guerra da Secessão. Nesse período apercebeu-se da sua falta de conhecimentos para lidar e aliviar a dor dos ferimentos de guerra.

Dr. Still (1828-1917) examina um osso da perna

Após a guerra Resolveu estudar profundamente Anatomia e Fisiologia para compreender melhor o funcionamento do corpo humano.  Como era igualmente um grande apaixonado pela engenharia mecânica decidiu abordar esse estudo numa perspectiva mecânica, como se o corpo se tratasse de uma máquina. Em 1864 uma epidemia de meningite matou vários dos seus pacientes e três dos seus filhos. Still ficou ainda mais desanimado com a Medicina então praticada e resolveu iniciar pesquisas noutras direcções. Em 22 de Julho de 1864 curou uma criança que estava com disenteria. Observou que a região lombar estava quente e o abdómen estava frio; o pescoço e a parte de trás da cabeça estavam quentes e o rosto, testa e nariz frios. Compreendeu então que havia contracturas na coluna e que estas estavam relacionadas com o mau funcionamento dos intestinos. Tratou a coluna da criança e no dia seguinte a mãe anunciou-lhe que o seu filho estava curado. Esta era a primeira vez que punha em prática as suas observações.

1908 | Philadelphia College of Osteopathic Medicine - Aula de Dissecação

É nesta altura que estabelece a relação entre a alteração estrutural (músculo-esquelética) e o resto do corpo como elemento chave na saúde. Still dizia: “encontre a lesão, trate-a, e deixe a Natureza agir” A 22 de Junho de 1874 declara nas suas notas pessoais que criou a Osteopatia. A sua fama cresce rapidamente e em 1892 funda a American School of Osteopathy, em Kirksville, escola que ainda hoje existe.

1892 | A. T. Still fundou a American School of Osteopathy em Kirksville, a primeira escola seguida de muitas outras.

Osteopatia como
profissão

A Osteopatia na Europa

 

No Reino Unido, o primeiro País da Europa a reconhecer a Osteopatia, o reconhecimento estatutário foi alcançado com a passagem do Osteopathic Act em 1993 tornando-se assim a Osteopatia a primeira profissão Complementar da Saúde a obter aquele reconhecimento. Essa autonomia faz com que profissionais ingleses dependam exclusivamente do GOsC (General Osteopathic Council). Ainda naquele ano a British Medical Association reconheceu a Osteopatia como sendo uma discreta disciplina clínica. Nos EUA o Osteopata é um médico que se diferencia dos outros colegas alopatas por aplicar no tratamento dos seus pacientes os princípios da filosofia osteopática. A A.A.O. (American Academy of Osteopathy) é uma associação que reúne os Osteopatas que cumprem exclusivamente os princípios da filosofia osteopática.

 

A Osteopatia em Portugal

História da osteopatia

Uma Osteopata Inglesa, formada no Reino Unido em 1957 na British School of Osteopathy (BSO), a Dra. Margaret Christine Reynolds Edlmann, foi a 1ª osteopata a exercer em Portugal, instalando-se em Lisboa na década de 60. 

No início dos anos 80 surgiram outros profissionais vindos doutros países (África do Sul, França, Bélgica e Inglaterra) que começando a exercer em Portugal. 

 

Formação dos osteopatas em Portugal

Um dos primeiros profissionais, vindo da África do Sul, o Dr. Borges de Sousa, começou a exercer em 1981, fez um exame ao estado português com base no "estatuto de retornado das ex-colónias portuguesas" (Moçambique). Posteriormente iniciou um curso de osteopatia. O curso decorria aos sábados com a duração de 1 ano e 1/2, sendo dirigido a médicos, fisioterapeutas e massagistas. 

 

Em 1985 um osteopata francês, o Dr. Bernard Gabarel iniciou um curso de osteopatia associado ao College Osteopathique Sutherland em Paris, destinava-se a fisioterapeutas ou terapeutas ocupacionais, sendo lecionado em seminários ao longo de 6 anos. Após 2 anos, no início do ano letivo 1987/8, em consequência da crise instalada em Portugal, o curso foi suspenso,vindo os alunos a ser integrados no curso do College Osteopathique Sutherland em Paris. Em 1991 o Dr. Gabarel voltou a iniciar um curso em Portugal, denominando-se de Colégio de Osteopatia, em ligação com o College Osteopathique Sutherland em Paris. O curso veio a terminar em 2002 por razões de politica interna.

 

Mais recentemente a Escuela de Osteopatia de Madrid iniciou um curso de osteopatia também destinado a fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, lecionado em seminários ao longo de 6 anos.

 

Em 1998 o ITS mudou os seus cursos para 3 anos mais 1 de estágio, em horário pós laboral, associando-se à Oxford Brookes University de 1998 a 2005.

 

Em 2004, o Instituto de Medicina Tradicional (lMT) iniciou o “Curso Geral de Osteopatia.

 

Em 2012 teve inicio o curso de osteopatia na Escola Superior de Saúde Ribeiro Sanches (ERISA).

Regulamentação e acreditação da Osteopatia em Portugal

 

Foi aprovada pela Assembleia da República, em 15 de Julho de 2003, a Lei n.º 45/2003 – “Lei do Enquadramento da Base das Terapêuticas Não Convencionais” (TNC), na qual se inclui a Osteopatia, pela resolução da Assembleia da Republica n.º 64/2003.

Em 2013 foi publicada  a Lei n.º 71/2013 de 2 de setembro, regulamentando a Osteopatia assim como as outras TNC.

Seguiu-se a publicação das várias portarias:

- Portaria n.º 181/2014 de 12 de setembro, que “vem regular o acesso à cédula profissional dos terapeutas que, à data da entrada em vigor da referida lei, se encontram a exercer atividade em alguma das áreas de TNC”;

- Portaria n.º 182/2014 de 12 de setembro, que define que “aos locais de prestação de TNC aplica-se, com as devidas adaptações, o regime jurídico a que estão sujeitos a abertura, a modificação e o funcionamento das unidades privadas de serviços de saúde”;

- Portaria n.º 182-A/2014 de 12 de setembro, que “prevê que pela emissão da cédula profissional é devido o pagamento de uma taxa de montante a fixar por portaria…”

- Portaria n.º 200/2014 de 3 de outubro, que “obriga os profissionais das TNC a disporem de um seguro de responsabilidade civil no âmbito da sua atividade profissional, o mesmo deve obedecer às condições mínimas ora elencadas…”

- Portaria n.º 207-B/2014 de 8 de outubro, “visa fixar a caracterização e o conteúdo funcional da profissão de osteopata”;

- Portaria n.º 172-E/2015 de 5 de junho, que “regula os requisitos gerais que devem ser satisfeitos pelo ciclo de estudos conducente ao grau de licenciado em Osteopatia”.

A AROP

 

a AROP foi criada em 12 de Maio de 1995 incorporou a AOP (Associação dos Osteopatas de Portugal), fundada em 1990. Uma das suas prioridades é a protecção dos pacientes através da promoção da excelência nos cuidados osteopáticos, introduzindo padrões de treino e condutas profissional e ética para toda a profissão. Pretende a AROP que, a osteopatia seja exercida apenas por profissionais acreditados pela ACSS, sendo detentores de cédula profissional. Só desta forma são concedidas ao paciente que consulta um osteopata a mesma salvaguarda que quando consulta um médico ou qualquer outro profissional de cuidados de saúde. A abordagem osteopática é aceite como um método efectivo que pode ser usado seja independentemente seja em conjugação com outro tratamento médico.

A AROP pretende também colaborar no ensino da osteoptia, na ministração das licenciaturas, formando profissionais de excelência.